Não é mais novidade para ninguém a descoberta de novas fontes de energia sustentáveis, usadas para manter máquinas em movimento, como por exemplo, a energia solar e eólica, mas você já ouviu falar de uma fonte de energia sustentável para seres humanos? Qual é o combustível necessário para manter membros de uma equipe motivados, comprometidos e trabalhando por um objetivo, que seja de interesse comum? Ter a pessoa certa, no lugar certo, fazendo a coisa certa é um dos maiores desafios que empresas de todos os tamanhos tem enfrentado no Brasil e no mundo, em todas as áreas de todos os setores da economia. Mas olhando para a realidade do nosso país, com uma sociedade de 13,4 milhões de desempregados, o que corresponde a 12,7% da população (Fonte: IBGE, 15 de maio de 2019), como nós podemos encaixar essa engrenagem, a ponto de permitir que um profissional se “dê ao luxo” de abrir mão de uma ocupação que lhe dá um retorno financeiro, para ir à procura desse estado, onde além da remuneração compatível com sua função, possa também sentir a realização e plenitude no trabalho? Levando em consideração os ganhos, que não somente as pessoas, mas também as empresas poderiam receber, você concorda que deveríamos dar mais importância para esse assunto e descobrir o combustível de melhor qualidade capaz de fazer esse motor atingir seu máximo de potencial? Círculo de Segurança foi o nome utilizado por Simon Sinek para esse ambiente sustentável, relacionado principalmente às pessoas, onde os lideres seriam as peças chave, sendo responsáveis por criar os vínculos necessários para proteger as fronteiras de amaças externas, garantindo a permanência de pessoas e atitudes certas no interior desse círculo. De acordo com os estudos realizados por Simon, o próprio corpo é capaz de produzir substâncias, que por sua vez, ao serem combinadas, funcionam como um combustível natural, gerando uma energia sustentável, onde o próprio consumo seria capaz de gerar mais produção. No primeiro grupo, chamado de substâncias egoístas, a endorfina e a dopamina trabalham juntas para assegurar nossa sobrevivência no que diz respeito a comida e abrigo, pois não é à toa que dizemos que precisamos do nosso emprego para sobreviver. Já no segundo grupo, a serotonina e a ocitocina, lubrificam a máquina social, nos recompensando pelo trabalho em equipe, atos de generosidade e demonstrações de afeto. Criar um ambiente corporativo que possibilite essa combinação não é uma tarefa fácil, mas também não é impossível. Segue abaixo as principais lições adotadas por diversas organizações no Brasil e no mundo, e que tem gerado resultados excepcionais, tanto para a própria empresa quanto para a sociedade:

  1. Tenha um propósito que extrapole interesses individuais e até mesmo da própria organização

Mesmo esse círculo remetendo a ideia de uma bolha, onde os que estão no interior dela estariam isolados do restante, essa organização tem na sua essência a necessidade de causar impacto positivo também para quem está fora dele. Diferente dos modelos do capitalismo tradicional, cujo objetivo é o lucro a qualquer custo, ou do socialismo, que visa distribuir de maneira uniforme a renda, o que gera certo comodismo nas pessoas, o Capitalismo Consciente é um movimento que tem como modelo empresas que buscam gerar riqueza financeira, intelectual, social, cultural, emocional, espiritual, física e ecológica, para todos os seus principais interessados: colaboradores, clientes, investidores, fornecedores e a comunidade que atua. Se tiver interesse em conhecer mais sobre esse movimento, assista Um Novo Capitalismo, documentário disponível no Netflix, que apresenta vários exemplos de empresas que adotaram esse modelo no Brasil. “Líderes notáveis e todos que trabalham em suas organizações acreditam que servem a uma causa, e não a um estranho com motivos egoístas. E essa causa é sempre humana. Assim, todos sabem por que foram trabalhar.” Simon Sinek

  1. Desenvolva uma Cultura alinhada com o propósito da organização

Assim como um organismo vivo possui em sua essência um sistema imunológico alinhado com o propósito para o qual ele existe, por exemplo, o urso polar é um animal que precisa de resistência a baixas temperaturas, por sua vez, seu corpo é todo desenhado para funcionar nessas condições, uma organização também precisa ter sua cultura alinhada ao seu propósito, caso contrário, ela estaria se autodestruindo. Muito se fala sobre empresas e líderes tóxicos, mas devemos levar em consideração que como seres humanos, todos nós temos atitudes consideradas tóxicas, como por exemplo o medo, egoísmo, inveja, ciúmes, orgulho, insegurança, ganância, que por sua vez contaminam o ambiente fazendo com que esse se torne hostil e propicio para a proliferação de outras atitudes negativas e nocivas como apatia, intriga, agressão (verbal, emocional, podendo chegar ao extremo de agressão física), falta de comprometimento e ética, desrespeito, entre tantos outros. Por outro lado, se o pertencimento, honestidade, suporte, confiança e proteção são incentivados, o alinhamento, a cooperação, crescimento, criatividade e inovação são atitudes que prevalecem na organização. Cultivando essa cultura saudável e sustentável será mais fácil atrair e reter talentos, e com isso, impactar os clientes, vender mais e lucrar, o que para uns é o principal objetivo, mas nesse caso torna-se uma consequência. “Quando a confiança e a cooperação prosperam internamente, ficamos unidos e assim a organização fica mais forte.” Simon Simek

  1. Selecione com critério e diversidade quem entra e sai do círculo.

Com o aumento da tecnologia, cada vez mais o diferencial das empresas serão as pessoas, e para isso, as organizações precisam explorar o lado humano dos indivíduos, a começar pela diversidade no momento do recrutamento e seleção, na contratação, treinamentos, e demais processos. Se ao ingressar na empresa e ao longo da sua trajetória as pessoas forem submetidas a uma espécie de “molde” para encaixar sua personalidade, habilidades e competências, nos padrões dos demais, essa pessoa estará substituindo sua capacidade humana e criativa por uma espécie de piloto automático, que facilmente perderá para uma máquina, que tem a capacidade de executar tarefas repetitivas de maneira muito mais ágil e precisa. Assim como um corpo que tem uma diversidade de membros, quanto mais diversificada em termos de gênero, idade, experiência, pensamentos, mais completa será a organização. No entanto, ser você mesmo não lhe dá o direito de permanecer do mesmo jeito sempre. Precisamos buscar constantemente ser a melhor versão de nós mesmos, e assim, somente assim, seremos capazes de alcançar o sucesso, realização e plenitude que desejamos.

  1. O equilíbrio é vital

Você já ouviu e provavelmente já repetiu a frase que dinheiro não compra tudo, e essa é certamente a razão de vivermos a era mais depressiva e triste de toda a humanidade. Muitas pessoas se iludem com a promessa de que se ganharem mais dinheiro poderão conquistar a tão sonhada felicidade, mas ao contrário, a felicidade na maioria das vezes está em ajudar o próximo, compartilhar e conviver com pessoas com as quais temos afinidade e amizade. Na sua maioria, líderes de organizações fracas, onde o egoísmo, a desconfiança e deslealdade prevalecem, tem dificuldade de acreditar que quem está embaixo será capaz de abrir mão dos seus próprios interesses para atender uma necessidade da equipe, porém, é justamente essa mensagem de “cada um por si e Deus por todos” que estimula ainda mais o famoso instinto de sobrevivência: “Salve-se quem puder!” Hipócritas, mentirosos e egoístas criam culturas repletas de hipócritas, mentirosos e egoístas. Equilibrar a produção e o gasto dessas substâncias é a chave para ter uma organização forte, que superará qualquer crise econômica, concorrência, baixa demanda, entre outras “ameaças” como a transformação digital, inteligência artificial, etc. Para que esse equilíbrio seja alcançado, o comprometimento de todos é essencial, mas são os líderes da organização que definem qual é a cultura que irá prevalecer. Se a mensagem que os líderes estão transmitindo, não com seus discursos e comunicações internas, mas com atitudes e exemplo, forem de confiança, lealdade, pertencimento, serviço, generosidade, será essa cultura que irá prevalecer. Para concluir, os componentes necessários para a produção dessa energia já estão disponíveis dentro de cada um de nós, mas o gatilho para ativar cada uma delas depende do despertar e da atitude de cada um. Desperte o máximo do seu potencial!

 

Escrito por : Daniele Hila