Os empresários e os executivos são os heróis da nossa sociedade. Passam o dia lidando com duas fronteiras ameaçadoras: a primeira, mais agressiva, é o que a lei permite que se faça. A segunda, sensivelmente mais perigosa que a primeira, é o que eu posso fazer que não seja contra a lei e a ética. Por lei neste contexto quero dizer toda e qualquer regra, norma, burocracia e afins – corporativa, jurídica ou cultural. Por ética, neste contexto, a sensibilização das pessoas que vão falar mal ou bem de você nas redes sociais.

Na fase em que estamos, na era da transformação digital, a ética segundo os juízes populares – os influenciadores – é tão relevante como a força do juiz de lei. Leis vêm e vão, a ética permanece implacável. Aqui fica a primeira advertência!

Outro ponto é a forma como as empresas tradicionais classificam suas necessidades de contratação de profissionais. Contratam por especialidades, por especificidades, por capacidade de realização e por capacidade de relação. Não há um problema neste conceito, contudo estará totalmente defasado em mais poucos anos. Saindo da dialética pejorativa dos acadêmicos versus os artesões, a seguinte hipótese já é praticamente uma teoria aceita: a habilidade de criar coisas do zero diverge da capacidade de vender as coisas.

Vamos dissertar sobre o José, um brasileiro típico da classe média alta com uma formação escolástica requintada. Esse é um tipo de pessoa que pode ser identificada facilmente por sua capacidade de escrever um plano de negócios convincente.

Agora é a vez do João, também brasileiro típico, se construiu aos trancos-e-barrancos nas ondas governamentais econômicas de nosso país. Teve que inventar e se reinventar tantas vezes. Para o João, consciente ou não, criatividade é uma questão de sobrevivência.

A segunda advertência é: na era da transformação digital, você precisa dos serviços do José e do João.

A terceira advertência reina na trilogia empresa–negócio–mercado. Se uma corporação é liderada por um CFO seu foco é na empresa. Números financeiros para todos os lados, orçamentos são como as tábuas de Moisés (mandamentos religiosos). Já se é liderada pelo COO, tudo gira em torno do negócio/produto/serviço. A capacidade da execução sobrepõe todas as demais características nesse estilo de gestão. Por último, se o líder é um perfil mais comercial todo o empenho da corporação está em dominar o mercado.

Até aqui nada de novo, certamente você – meu leitor imaginário – já sabia disso. Então o que mudou? Qual a advertência? Mudou muito na era da transformação digital. Solidez financeira sem perspectivas de crescimento é desinteressante como futuro. Capacidade de execução se transformou em cultura para inovação. Não é mais tão valioso a sua capacidade de realizar uma coisa, o mais valioso é a cultura para realizar qualquer coisa. E o mercado… ah, esse foi o mais impactado.

Hoje a melhor metáfora é que o mercado é como uma sala de cinema. Ou você projeta as imagens, influencia tendências, ou você tem uma grande porta de saída e está sentado bem perto dela. Porta de saída significa quantos potenciais compradores sua corporação tem naquele mercado.

O pior é que a maioria dos perfis executivos e empresários comerciais estão com foco no tamanho da sala de cinema e não no tamanho da porta de saída. Quando alguém gritar fogo serão queimados no meio do salão.

Fonte: https://administradores.com.br/artigos/3-advert%C3%AAncias-aos-empres%C3%A1rios-e-executivos-n%C3%A3o-digitais?fbclid=IwAR37QxkZlTrujd5T8qo6BdGE_LmH8bBRa23Ezhf6qrtrHklyyDxt4iRkp6U